Lili poeta por Marli

Quem dera, todo poeta tivesse uma estrela na ponta do dedo ...

Textos


Fotografia de Ana Flávia de Meira Bulek  

Ela foi para minha pequena família a leveza repousante de uma borboleta alçando vôo numa profusão de flores...
 

Para Dirce Josefina Kusma, que descansou no Senhor no último dia 09/05/2011, minha gratidão e minha singela homenagem:



                                    Cristã Luz

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“Quem será digno de subir ao Monte do Senhor? Ou permanecer no seu lugar santo? O que tem as mãos limpas e o coração puro, cujo espírito não busca as vaidades nem perjura para enganar seu próximo” (Salmo 23,3)




           Não lembro quando conheci a Dirce, mas a mim parece que ela sempre esteve presente em minha vida. É como aquele frasco de perfume preferido que fazemos questão de ter sempre ao alcance das mãos.
           Dirce era assim: - Um perfume inesquecível  em qualquer ambiente por onde passasse.
           Sua voz, sempre suave, era permeada de carinhos... Nunca reclamava e sempre tinha a palavra certa na ponta da língua para confortar alguém... Se não gostava de alguma coisa, em geral,  calava.
          Conhecia e cuidava de todas as alfaias litúrgicas como quem cuida da Porta do Céu. Tinha um zelo inacreditável pelos objetos sagrados e fazia tudo reluzir. A Credência era o reflexo da sua casa, sempre impecavelmente limpa e organizada.
           Não se importava em ensinar aos mais novos aquilo que mais gostava de fazer: - Servir ao próximo com alegria
           Escolheu ser serva num mundo em que a grande maioria deseja tudo na mão, proclamando com fé, o Milagre da Partilha.
           Fez a opção pelos doentes, quando aceitou ser Ministra da Sagrada Comunhão e levou a EUCARISTIA por muito tempo, aos que não podiam ir à missa.
           Foi MÃE AMOROSA dos padres que por esta comunidade passaram, abrindo sempre a porta de sua casa para eles.
          A exemplo de Maria guardava tudo no silêncio do seu coração. Mas proclamava a palavra e o Senhorio de Jesus em sua vida para quem quisesse ouvir.
           Numa Paróquia tão grande como a de São José do Capão Raso, conseguiu unanimidade. Nunca se ouviu dizer que alguém que a conhecesse, não a admirasse, criando com ela, laços afetivos que vão além do Presbitério.
           Na sua companhia, tive o privilégio de servir ao Altar e com ela aprendi de verdade a ter zelo litúrgico.
           Abraçou-me quando eu precisei e agradeceu inúmeras vezes quando em sua doença eu a visitava todo sábado para levar-lhe a Sagrada Comunhão, a qual esperava ansiosa, com a porta aberta e o corporal estendido sobre a mesa  à espera do Santíssimo.
           Mal sabia ela que eu é que serei eternamente agradecida por ter sido privilegiada em poder levar aquele pedaço de Pão do Céu para uma pessoa que possuia uma fé inabalável. Eu ia para confortá-la em sua doença e saía de sua casa modificada, sempre para melhor. Bastava um gesto de ternura de sua parte e meu coração se transformava.

Por favor não me impeçam de chorar e de sentir saudade da Dirce.

- Sentirei saudade da sua voz suave ao telefone, reconhecendo de imediato a minha voz;
- Lembrarei com água na boca dos seus bolos deliciosos, recheados de abacaxi com côco, que por mais que eu tente, jamais conseguirei fazer igual;
- Não esquecerei do seu carinho generoso para com os padres, diáconos e ministros, sempre se colocando com humildade para servir, costurando suas vestes, preparando merendas, organizando eventos, na simplicidade do seu coração.
           A última vez que estive com a DIRCE foi numa missa, na qual ela fez questão de sentar-se ao meu lado. Ficamos a celebração inteira de mãos dadas e ela, ao me desejar a PAZ, agradeceu pela milésima e derradeira vez por eu ter levado a ela a Santa Comunhão.
          Hoje irei à missa, celebrar e agradecer a Deus pela vida dela, pelo tempo que ele nos permitiu a sua companhia. Por essa leiga comprometida com o Projeto de Deus. Por seu ministério fecundo e seu ardor missionário.
           O céu está mais bonito... Dirce Kusma, a cristã luz, que tanto iluminou a vida da nossa comunidade,  está agora brilhando diante do Altíssimo e eu serei eternamente grata por sua amorosa presença em minha vida.


Glossário:

Chamam-se
alfaias litúrgicas todos os objetos que servem ao exercício da Liturgia . Referem-se em particular aos lugares litúrgicos , aos ministros da liturgia e às celebrações litúrgicas . 0 inegável valor das alfaias é ser "sinal" que caracteriza a realidade invisível da graça ministrada por Deus no exercício litúrgico . (Fonte: Site da Comunidade católica Shalom)

A Credência é uma pequena mesa onde são colocados os objetos litúrgicos que serão levados ao altar na Celebração Eucarística - Normalmente o Ministro Extraordinário da Sagrada Comunhão, organiza a credência com todos os objetos, minutos antes da Missa.



Lili Maia
Enviado por Lili Maia em 12/05/2011
Alterado em 12/05/2011
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